Greve dos Correios continua e pode provocar atrasos nas entregas em todo o país

Paralisação ocorre por tempo indeterminado após trabalhadores rejeitarem proposta da empresa; Correios acionaram o TST para tentar solucionar o impasse

A greve dos trabalhadores dos Correios continua nesta segunda-feira (14) e ainda não tem previsão de encerramento. A paralisação ocorre após a categoria rejeitar uma proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027.

O movimento teve início na noite de quinta-feira (10) e foi mantido após o encerramento das negociações sem um acordo entre a empresa e os representantes dos trabalhadores. Entre os principais pontos de divergência está o plano de saúde oferecido aos empregados, aposentados e dependentes.

Correios recorrem ao Tribunal Superior do Trabalho

Diante do impasse, os Correios protocolaram na sexta-feira (11) um pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A estatal busca que a Justiça do Trabalho analise o conflito e estabeleça uma solução para a campanha salarial.

A empresa também pediu que o tribunal determine a continuidade dos serviços. A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), por outro lado, orienta os trabalhadores a manterem a paralisação e ampliarem a mobilização.

O movimento envolve sindicatos de diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Bauru, Maranhão e Mato Grosso do Sul.

Como ficam as entregas?

A greve pode provocar atrasos na entrega de cartas, encomendas e outros objetos postais, principalmente em regiões onde a paralisação tiver maior adesão.

Apesar da mobilização, os Correios afirmam que as agências continuam funcionando e que foram adotadas medidas para reduzir os impactos da paralisação. Entre as ações estão o remanejamento de equipes, a utilização de empregados administrativos em atividades operacionais, reforço da frota e realização de mutirões.

Por isso, uma encomenda que já está em trânsito pode continuar avançando normalmente, mas os prazos de entrega podem ser afetados conforme a região e o nível de adesão dos trabalhadores.

O que acontece com quem já postou uma encomenda?

Quem já enviou uma encomenda deve continuar acompanhando o código de rastreamento. O objeto pode ser entregue dentro do prazo previsto, mas também pode sofrer atraso durante o período de paralisação.

Para quem ainda pretende realizar uma postagem, os Correios mantêm seus canais de atendimento e as agências abertas, embora a movimentação dos objetos possa ser afetada pela greve.

Plano de saúde é um dos principais pontos de conflito

O plano de saúde dos trabalhadores está entre os principais motivos do impasse.

Segundo informações divulgadas durante as negociações, os Correios afirmam que a proposta apresentada mantém a maior parte das cláusulas do acordo anterior e prevê recomposição salarial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A categoria, porém, contesta mudanças relacionadas ao plano de saúde e afirma que elas podem aumentar os custos para trabalhadores, aposentados e dependentes.

Greve ocorre em meio a dificuldades financeiras

A paralisação acontece em um momento de forte pressão financeira sobre os Correios. A estatal registrou prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados sobre o período.

O cenário financeiro é utilizado pela empresa como argumento para defender mudanças necessárias à recuperação da companhia, enquanto os trabalhadores cobram a preservação de direitos e melhores condições no acordo coletivo.

E agora?

Com o pedido de dissídio coletivo apresentado ao TST, a tendência é que o tribunal passe a analisar as reivindicações e as condições da paralisação.

Até que haja uma decisão ou novo acordo entre as partes, a greve permanece por tempo indeterminado, e os consumidores devem estar atentos a possíveis atrasos nas entregas.

Para quem espera uma encomenda, a principal recomendação é acompanhar regularmente o rastreamento disponibilizado pelos Correios e considerar que os prazos originalmente previstos podem sofrer alterações durante a paralisação.