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Um novo boletim do Monitor de Secas revelou um cenário preocupante no Piauí: mais de 100 municípios do estado estão sob o nível de seca extrema (S3), o segundo mais alto na escala que vai até S4, que representa seca excepcional. No total, 116 cidades piauienses enfrentam essa situação crítica, reflexo direto da falta de chuvas e da redução drástica dos reservatórios de água.

Outros 102 municípios foram classificados como S2 (seca grave), 54 em S1 (seca moderada) e oito em S0 (seca fraca), de acordo com o levantamento referente ao mês de setembro. O relatório alerta para impactos severos na agricultura, pecuária e no abastecimento humano, especialmente nas regiões mais áridas do estado.

O estudo indica que o Sudeste do Piauí concentra a maior parte das cidades em seca extrema, enquanto o Centro-Norte e o Sudoeste registram seca grave. Já no Norte, a estiagem tem intensidade moderada. A falta de chuvas entre janeiro e abril deste ano foi um dos principais fatores que agravaram o quadro.

De acordo com o climatologista Pedro Aderaldo, da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), o baixo índice pluviométrico reduziu a umidade do solo e comprometeu o nível de reservatórios e rios. “A vegetação sofreu um impacto severo, e a escassez de água começa a afetar diretamente as famílias do interior”, destacou o especialista.

Além das perdas na lavoura e na criação de animais, várias comunidades rurais já enfrentam dificuldades de abastecimento. Em algumas regiões, a operação de carros-pipa voltou a ser intensificada para garantir o fornecimento mínimo de água.

Autoridades estaduais estudam novas estratégias de convivência com a seca, como incentivo a sistemas de irrigação mais econômicos, reuso da água e perfuração de poços em áreas prioritárias.

Os especialistas acreditam que o quadro pode começar a melhorar no início do próximo ano, com a chegada do período chuvoso. Até lá, o monitoramento climático será essencial para evitar o colapso hídrico em regiões vulneráveis.

A seca de 2025 já é considerada uma das mais severas dos últimos anos no Piauí, reforçando a necessidade de ações urgentes e coordenadas entre o governo e os municípios para garantir segurança hídrica e alimentar à população.

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